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Significação da Aprendizagem

  • 12 de ago. de 2017
  • 4 min de leitura

Paulo Freire afirma:


“Não se pode encarar a educação a não ser como um que fazer humano. Que fazer, portanto, que ocorre no tempo e no espaço, entre os homens uns com os outros. Disso resulta que a consideração acerca da educação como um fenômeno humano nos envia a uma análise, ainda que sumária, do homem. O que é o homem, qual a sua posição no mundo, são perguntas que temos de fazer no momento mesmo em que nos preocupamos com educação. Se essa preocupação, em si, implica nas referidas indagações (preocupações também, no fundo), a resposta que a ela dermos encaminhará a educação para uma finalidade humanista ou não.


Não pode existir uma teoria pedagógica, que implica em fins e meios da ação educativa, que esteja isenta de um conceito de homem e de mundo. Não há, nesse sentido, uma educação neutra. Se, para uns, o homem é um ser da adaptação ao mundo (tomando-se o mundo não apenas em sentido natural, mas estrutural, histórico-cultural), sua ação educativa, seus métodos, seus objetivos, adequar-se-ão a essa concepção. Se, para outros, o homem é um ser de transformação do mundo, seu que fazer educativo segue um outro caminho. Se o encaramos como uma "coisa", nossa ação educativa se processa em termos mecanicistas, do que resulta uma cada vez maior domesticação do homem. Se o encaramos como pessoa, nosso que fazer será cada vez mais libertador."


Para o autor, ensinar requer mais que reflexão, requer postura do professor frente à realidade que se apresenta. Nesse sentido, qual o papel do professor no processo de significação da aprendizagem?


Para falarmos sobre o papel do professor neste processo é necessário compreender o processo de significação em si. David Paul Ausubel (1918 – 2008) propôs o conceito de aprendizagem significativa em 1963, quando as teorias behavioristas dominavam o cenário educacional. Na contramão destas teorias predominantes, Ausubel colocou que “o fator isolado mais importante que influencia o aprendizado é aquilo que o aprendiz já conhece”, isto é, a aprendizagem significativa parte do pressuposto que o aprendizado deve ser baseado naquilo que o aprendiz já conhece e a partir de então novos conhecimentos são introduzidos formando uma nova rede de significados.


Dentro dessa dinâmica de reestruturação dos conhecimentos o papel do professor é a de mediador e incentivador da construção desses significados o que vai de encontro à pedagogia de Paulo Freire, colocando o professor como um dos atores do processo de ensinagem, onde todos ensinam e aprendem simultaneamente em processo dialógico.


Para que esse processo seja posto em prática é necessário que o professor seja, antes de mais nada, um mediador que oriente os aprendizes na construção de seu conhecimento. Desta forma é imprescindível não só o conhecimento da disciplina, mas principalmente da realidade sociocultural e das particularidades de seus alunos, de sua escola e da comunidade da qual faz farte, além das diferenças entre os próprios alunos, o que possibilita uma maior interação entre todos.


A significação da aprendizagem em matemática pela sua especificidade deve levar em consideração alguns fatores importantes, como alguns preconceitos já trazidos pelos alunos à sala de aula com relação à disciplina, seja pela ideia de que é algo difícil de se compreender, que não possui conexão com a realidade cotidiana ou uso prático fora de áreas profissionais específicas e até mesmo que não se relaciona com as demais disciplinas.


Estes conceitos são formulados a partir das próprias deficiências do ensino de matemática dentro de uma visão tradicional da educação que compartimentalizou o currículo isolando cada disciplina em sua “caixa” e que tem a figura do professor como um transmissor de conteúdos e métodos de resolução de exercícios.


A atuação do professor mediador deve também se pautar pela mudança desse paradigma para que uma nova forma de relação com a aprendizagem e com a disciplina em si seja gradualmente construída.


Para que o aprendizado em matemática seja significativo, portanto, é preciso que o conhecimento prévio do aluno assim como sua realidade social sejam tomados como base para um trabalho de mediação realizado pelo professor através da inserção de novos conceitos e da transformação dessa realidade em linguagem matemática.


Algumas ferramentas como jogos, resolução de problemas e execução de projetos são excelentes aliadas no ensino da matemática, mas para que esse conhecimento ganhe significado é preciso estar atento aos conteúdos, isto é, um problema apresentado deve ser contextualizado na realidade do aluno para que atinja o objetivo proposto.


O ensino de matemática através de projeto de maquetes é um exemplo bastante pertinente, pois coloca o aluno diretamente na execução de uma atividade onde diversos conceitos matemáticos são explorados, como geometria, noções de espaços dimensionais, formas, proporção, entre outros, além da utilização de conteúdos transversais como artes, sociabilização, arquitetura, urbanismo e cidadania.


Desta forma a aprendizagem da matemática se torna mais significativa ao passo que se torna acessível e inter-relacionada com as demais disciplinas do currículo e neste cenário o papel do professor se torna ainda mais importante, pois se desloca da posição de transmissão de conteúdos para a posição de mediador da construção do conhecimento do aluno de forma autônoma, crítica e participativa.


O aluno, por sua vez, se desloca de uma posição passiva de apenas absorver, ou decorar, conteúdos de forma pontual, para uma posição ativa onde é parte integrante de um processo contínuo de aprender a aprender e apreender a realidade que o cerca.

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