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A importância do Reforço Escolar

  • 10 de ago. de 2017
  • 7 min de leitura

Antes de falarmos da importância do reforço escolar é preciso falar sobre as razões que levam à necessidade desse acompanhamento e assim também afastar de pais e jovens o “fantasma” do que erradamente se toma como insucesso escolar.


Os pais sonham em ver seus filhos sendo estudiosos e com seus boletins repletos de notas 10, mas o que isso representa de fato? E quando essa não é a realidade, que é o caso da maioria, o que fazer?


Nosso sistema educacional é baseado em notas de exames pontuais que habilitam o aluno a progredir ou não para as séries posteriores, isto é, é um sistema baseado em medições quantitativas e no sistema de aprovação x reprovação. O conteúdo das disciplinas é bastante extenso e trabalhado ao longo do período letivo em salas com uma média de trinta alunos e esse conteúdo é verificado (avaliado) em um certo intervalo de tempo a fim de se verificar o quanto o aluno memorizou deste conteúdo (não necessariamente aprendeu de fato).


Dito isto, podemos desfazer alguns mitos, ou preocupações que envolvem pais e alunos.


Em um primeiro momento não podemos pensar que “no meu tempo as aulas eram assim e funcionavam”, esse é um erro bastante comum, mas a sociedade hoje é bastante diversa da sociedade de 20 ou 30 anos atrás e não, as aulas não funcionavam e a evasão escolar por reprovação era altíssima.


Notas baixas não significam fracasso escolar, significam, de modo geral, apenas que o sistema da escola ou de aulas específicas não estão adequadas ao aluno, pois cada jovem constrói seu conhecimento de forma diferente e um sistema único de aulas não irá beneficiar a todos. Indivíduos diferentes possuem aptidões diferentes, portanto é natural que apresentem também resultados diversos nas várias disciplinas do currículo. Há também casos em que o aluno mesmo tendo adquirido o conhecimento da disciplina não consegue aplicá-lo no momento da prova.


Como solucionar essas questões?


É preciso deixar de lado o preconceito. Admitir a necessidade de apoio extra não significa admitir que o jovem é menos capaz ou menos inteligente que os demais.


Cobrar excessivamente a obtenção de resultados na forma de notas e usar tal critério de maneira a comparar o aluno com os demais ou com amigos e parentes só faz com que esse aluno se sinta ainda mais desmotivado fazendo com que esse ciclo de notas baixas x cobranças x desmotivação se agrave ainda mais.


Este é o momento de conversar com a criança ou adolescente sobre a possibilidade de ela frequentar aulas de reforço, ouvir sua opinião é muito importante, pois esta decisão não deve ser tomada arbitrariamente apenas pelos pais. Conversar com o profissional orientador da escola e com os professores da(s) disciplina(s) cujas notas estejam abaixo do esperado também é importante.


Qual a importância do reforço escolar?


- Recuperar a autoestima da criança ou adolescente e o prazer de estudar:

O maior prejuízo das notas baixas é em relação à autoestima do aluno que passa a se sentir desmotivado e, consequentemente, perde o interesse pelas aulas e pelo estudo em geral. Fazer com que o aluno se sinta confiante e parte da turma escolar e lhe dar ferramentas para uma evolução constante dentro desse universo é o principal objetivo do professor de reforço escolar.

O reforço escolar não está baseado na recuperação das notas em si, mas tem essa recuperação como consequência da reconstrução do prazer pelo ato de aprender, de conhecer, ou seja, de estudar.


- Identificar as necessidades educacionais do aluno:

Através de conversas com os pais e com o aluno e também com a utilização de ferramentas de avaliação diagnóstica é possível identificar qual ou quais fatores estão influenciando o desempenho escolar para assim desenvolver um método de trabalho e estudos.


- Oferecer acompanhamento pedagógico através de um trabalho específico que atenda às suas necessidades e que, principalmente, se adapte às suas aptidões:

Com os resultados da avaliação diagnóstica é possível identificar as necessidades e traçar um plano de aulas com a quantidade e formato das aulas que melhor se adapte ao aluno e permita um acompanhamento constante de seu desenvolvimento.

É recomendável que esse acompanhamento seja feito durante todo o ano letivo para que os conteúdos possam ser devidamente trabalhados de forma constante.


- Trabalhar de forma individualizada com uma dinâmica de aulas voltadas para o modo de construção de conhecimento do aluno:

Aulas individuais permitem que seu formato esteja plenamente de acordo com a melhor forma de o aluno construir conhecimento e externar suas dúvidas o que na escola é mais difícil de ser alcançado devido ao elevado número de alunos por turma.


Quando começar?


A resposta a essa pergunta depende de cada caso em particular, mas a grosso modo podemos destacar algumas situações comuns:


- Dificuldade recorrente com relação à disciplina: Neste caso recomenda-se que o reforço escolar se inicie junto ao início do ano letivo e que seja contínuo durante todo ele. É o caso mais comum onde o aluno não se sente atendido pelas aulas na escola e as dúvidas se acumulam, desta forma é preciso que ao menos uma aula de reforço semanal seja realizada para sanar tais dúvidas e evitar o acúmulo de conteúdo.


- Dificuldade com um conteúdo específico de uma disciplina: Caso a dificuldade seja pontual é possível marcar algumas aulas, na quantidade necessária para sanar tais dúvidas, porém é preciso que seja feita a intervenção assim que se notar a dificuldade para que não venha a prejudicar conteúdos subsequentes.


- Dificuldade em estudar de forma eficiente: Neste caso a dificuldade não está no conteúdo das disciplinas, mas na prática de estudos. Este é o modo mais comum de necessidade relacionada a disciplinas de humanas como história, filosofia, sociologia, etc, que exigem muita leitura e interpretação de textos longos e complexos. O método de trabalho é desenvolvido em duas partes, leitura e discussão dos textos e técnicas de estudo com cartões de resumo e tópicos.


Como começar?


O primeiro passo é procurar um professor ou escola e para isso alguns pontos devem ser observados:


- Qualificação do professor – verificar se a formação do profissional é adequada para as aulas a que se propõe, questionar sobre sua experiência e cursos que tenha realizado, questionar sobre sua forma de trabalho e sobretudo permitir que o aluno faça perguntas.


- Local das aulas – ao contrário do que se pensa o local adequado para as aulas de reforço são em salas apropriadas para tal finalidade, seja em uma escola especializada em reforço, seja em uma sala alugada pelo professor ou em um espaço em sua própria residência.


O local deve ser visitado pelos pais e pelo aluno a fim de se verificar questões como estrutura, material de apoio disponível, segurança, etc.


Aulas em domicílio são possíveis porém apresentam algumas desvantagens como falta de estrutura adequada, excesso de elementos que geram a dispersão da atenção do aluno, valores mais altos devido ao tempo e custo de deslocamento do professor entre outras.


Aulas on-line são uma excelente modalidade nos dias atuais, porém são recomendadas para alunos a partir do ensino médio e que já tenham afinidade com ferramentas virtuais. É importante também que mesmo que se decida por aulas virtuais que ao menos uma primeira aula presencial seja feita a fim de se criar uma melhor dinâmica interpessoal.


- Aula teste – é importante realizar algumas aulas para verificar a sintonia entre aluno e professor e a partir daí conversar sobre a continuação ou não das aulas. Nem sempre o aluno se sentirá bem atendido pelo professor e então deve-se pensar em outra alternativa afinal não queremos que a aula de reforço seja uma mera extensão das aulas escolares.


O que não esperar do reforço escolar?


- Mágica – não existe fórmula mágica ou atalhos em educação, existe dedicação e trabalho sério. Apenas uma ou poucas aulas antes das provas finais dificilmente renderão bons resultados, exceto quando o aluno tiver algumas poucas dúvidas pontuais.


- Comodidade – não encare a aula de reforço como tutoria para a realização de “lição de casa” ou como simples aplicação de bateria de exercícios, pois este não é o papel do professor de reforço e caso o profissional se coloque como tal é recomendável rever a real necessidade das aulas ou conversar sobre sua atuação. Essas tarefas podem eventualmente fazer parte do conjunto das aulas, mas de modo algum devem ser seu foco.


Diante de tudo o que foi exposto podemos chegar a algumas importantes conclusões.


O Reforço Escolar é uma ferramenta bastante importante para a qualidade de vida do estudante dentro da instituição escolar, isto é, tem por objetivo principal fazer com que o jovem se mantenha motivado e consciente de suas aptidões e habilidades na condução de seus estudos. É tão importante que muitos sistemas de ensino, no Brasil e no mundo, promovem aulas de reforço no contra-turno dentro da própria instituição.


É imprescindível que pais e alunos tenham plena consciência que participar de aulas de reforço escolar não implica em demérito, mas sim uma prática de estudo voltada aos alunos para os quais as aulas formais não estejam sendo adequadas, seja pela dinâmica da aula, pelo conteúdo ou outro fator externo.


Avaliar o professor é também responsabilidade dos pais e do jovem, pois o professor de reforço é um profissional de educação que deve estar qualificado e deve, antes de tudo, se dedicar a essa área de atuação profissional. Aula de reforço não pode ser encarada pelo profissional ou pelos pais como “bico” ou complementação de renda, mas como parte integrante e importante do sistema educacional.


É muito comum que estudantes de nível superior se dediquem à atuação como “professor particular”, porém isso não significa que não sejam qualificados para atuar. O que define a qualificação do profissional é sua dedicação e comprometimento com o exercício da profissão mesmo com a graduação ainda em curso.


A educação é um esforço que deve ser realizado em conjunto, pelos responsáveis, pelos profissionais de ensino e pelo estudante e é dessa união de esforços que são colhidos os bons frutos do conhecimento. Neste sentido vale lembrar que a construção do conhecimento é o objetivo da educação e não a simples pontuação em testes que são formas de quantificar o que foi apreendido pelo aluno, mas que não devem ser encarados como objetivo e sim como consequência.


Por último, é importante salientar que tratamos aqui de questões do cotidiano escolar, casos de alterações bruscas no rendimento escolar, assim como mudanças repentinas de comportamento da criança ou adolescente devem ser investigados com maior cautela e sempre com a ajuda de profissionais especializados.


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